Palavras Inevitáveis

março 18, 2012

No pain is strong enough to remain

Filed under: Sem categoria — Marcelly Ferrari @ 10:02 pm
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I thought it was a great deluge,
Than I found it was not so huge.
It was, indeed, a sort of pain,
But it is gone. It was just rain.

It really while it fell.
Sometimes I thought I was in hell.
Now I think it was not so bad,
Not unhealable as I had said.

I am not in heaven yet.
But I’ll be there soon, I bet,
Because I know that no pain
Is strong enough to remain.

fevereiro 7, 2012

Vitória na Lapa

Filed under: Aconteceu de verdade — Marcelly Ferrari @ 12:03 pm
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Cinco mil corredores se aglomeram no centro do Rio. A largada, desta vez, é sob os Arcos da Lapa. Coisa linda! O percurso? Confesso que podia ter explorado melhor o mapa, mas não quis prestar atenção. A surpresa é deliciosa, torna a corrida mais interessante. Também descansa, porque alimenta a ilusão de que a linha de chegada está próxima, logo ali depois da curva. É sempre a surpresa quem me carrega até os últimos metros.

Checklist: Camiseta amarelinha. OK. Viseira. OK. Número do peito. OK. Chip da prova. OK. Frequencímetro. OK. Chip pessoal. OK. Fones de ouvido… Fones de… Ooops! Fone. Acho que vou ter que me contar só com o direito.

Um minuto de silêncio pelas vítimas dos desabamentos na Cinelândia. Alguns corredores estão excitados demais e não ouvem a orientação pelos autofalantes. Mas muitos se calam. E, por alguns instantes, a ansiedade de uma multidão se transforma em solidariedade.

De repente, o choro vira chorinho – ao vivo! – nos instrumentos dos Gênios do Chorinho, e a multidão de amarelinhos volta a se agitar. Logo depois, a buzina estridente indica a largada, quebrando a harmonia musical. Fico sempre arrepiada com a buzina. É hora de mexer as pernas! Vamboraaaaa!

Seguimos pela Rua Evaristo da Veiga. O ritmo é lento. Vou zigue-zagueando entre os corredores, procurando  espaço. Meu noivo segue ao meu lado. É somente em frente ao quartel da polícia militar que conseguimos correr.

Mais um pouco e alcançamos o Teatro Municipal. Dá para ver os destroços dos prédios que caíram. O arrepio, desta vez, não é nada prazeroso. Seguimos em frente. Nem percebo quando atravessamos a Rio Branco. A cabeça está nos prédios, nos parentes das vítimas.

Chegamos à Rua Araújo de Porto Alegre. Muita sombra. Quem bom! Mal passa das oito da manhã e o termômetro já marca 24°C. Poderia ser pior. O verão até está bem ameno este ano.

Viramos à direita na Presidente Antônio Carlos. Ei! Quem é aquela louca cortando por cima da calçada? O que ela pensa que está fazendo? Quem ela pensa que está enganando? Ah, deixa pra lá… Azar o dela que não vai conhecer a sensação deliciosa de percorrer cada centímetro da prova.

Um rápido retorno e seguimos rumo ao Paço Imperial. De lá, avistamos a Perimetral e os atletas mais adiantados correndo lá em cima. Pergunto ao meu noivo se consegue vê-los e ele responde que sim, mas não gostaria. Risos. Tudo o que ele queria era estar lá em cima, observando os atrasadinhos da Primeiro de Março.

Posto de hidratação. Já? Estamos nos aproximando do marco de dois quilômetros. So far, so good. É impressionante como o condicionamento físico melhora depois que a gente faz da corrida uma rotina. Ainda me lembro do quanto era difícil correr dois quilômetros. Eu achava que ia morrer!

Curva à direita na Candelária. A turma dos cinco quilômetros segue pela esquerda, direto pela Presidente Vargas. Tchauzinho! Vou ver a paisagem lá de cima.

Tudo tem seu preço, inclusive a paisagem da Perimetral. Chega de sombra. Chega de moleza. Mais alguns passos e damos de frente com a rampa de acesso. Olho para a ladeira e lembro da Job Lane, a rua que passa por trás da casa dos meus pais e que eu faço questão de encarar toda que vez vou a São Paulo. A Job Lane é bem mais íngreme. Chego lá em cima num instante!

É muito bacana a gente passar a pé por onde só passou de carro. A paisagem lá do alto da Perimetral é fantástica! Mas o sol começa a castigar. O segundo posto de hidratação é mais do que bem-vindo. Molho a nuca, os pulsos, tomo um pouco de água. Nessas horas nunca me lembro que carrego o celular comigo e que os fones de ouvido não são à prova d’água. Tudo bem. O fone esquerdo já era mesmo… A água está estupidamente gelada. Que delícia!

A Perimetral tem pequenas inclinações. Passei por ali de carro incontáveis vezes e nunca me dei conta disso. A pé, cada subidinha é um desafio, cada decidinha é uma dádiva. Ei! Não está na hora de voltar, não? Quando acabo de me fazer a pergunta, avisto o retorno. Ufa!

Muito sol. Mais hidratação. Vamos correndo na direção contrária dos carros. Fico imaginando o que os motoristas pensam ao nos ver ali. Exemplos de saúde e bem-estar? Malucos sob o sol? Ou simplesmente um bocado de gente que fecha as ruas e atrapalha o trânsito? Nunca vou saber. Só sei de mim e eu me sinto atleta – igualzinha à turma da elite, aquelas que correm o mesmo percurso em menos da metade do meu tempo. Eu tenho meus recordes e me concentro neles.

Já falei que a vista lá de cima é fantástica? Você vê a ponte Rio-Niterói, os navios de carga e os de cruzeiro. Avisto um parado no porto. Ouço um atleta gritar: “Olha o transatlântico!” Como é grande! Vêm-me à memória as imagens daquele que afundou recentemente na Itália, o Titanic dos tempos modernos. Devia ser tão grande quanto esse.

O segundo retorno demora a chegar. Vejo a placa dos seis quilômetros e me pergunto se vou conseguir chegar ao fim. Mal passei da metade da prova e já me sinto cansada. Não era para ser assim. O cansaço costuma chegar nos sete quilômetros, quase oito. Mas o sol não está dando trégua.

Acho que o mapa do trajeto, publicado no site, tinha menos postos de hidratação do que a realidade. Ou poode ser que eu não tenha reparado. (Eu não falei que as surpresas são sempre agradáveis?) Repito o ritual: Molho a nuca, os pulsos, tomo um pouco de água. Ah, que delícia! Há tantos copos pelo chão que é preciso tomar cuidado para não tropeçar. Sinal de que muita gente já passou por ali. Sinal de que fiquei para trás. Forçaaaaa!

No último trecho da Perimetral, todo mundo parece correr no mesmo ritmo: o rapaz gordinho ao meu lado, a menina do rabo de cavalo comprido à frente, o coroa à esquerda. Olho para o lado. Cadê o meu noivo? Há quanto tempo já não está ao meu lado? O joelho deve ter dado sinal vermelho… Só torno a vê-lo na descida do viaduto. Ele, lá em cima. Eu, descendo. Parece cansado, mas segue em frente. É isso aí, Guga!

“Para baixo, todo santo ajuda. Até o diabo empurra!”, diz a minha mãe. Eu deixo as pernas irem e sinto o vento no rosto. O cansaço dos seis quilômetros fica para trás. Acelero rumo à sombra da Avenida Presidente Vargas.

Estou em casa. A Presidente Vargas fez parte do último percurso. Dos ônibus e vans, a gente ouve os gritos de incentivo. O termômetro marca 29°C.  Será que esse pessoal tem consciência da força que tem sua torcida? Acho que não. Queria que o meu pai e a minha mãe estivessem naquelas calçadas. Eles, sim, reconhecem a força das suas palavras.

No meio do caminho, um fato curioso: um casal sai dos banheiros químicos e volta a correr. Acho graça. Sempre tenho medo de sentir vontade de ir ao banheiro no meio da prova (e li em uma revista que isso não é coisa só minha!) Aqueles dois tiveram sorte: encontraram uma carreirinha de banheiros químicos bem na calçada, beirando o percurso!

No mapa, a Presidente Vargas parece bem mais longa. Juro que é pura ilusão de ótica. O Campo de Santana chega rapidinho e viramos à esquerda. Pronto. Agora já estamos quase no fim. Mais uma curva à esquerda, na Rua da Constituição, viradinha à direita na Avenida Passos e estamos na República do Paraguai. Aquela mesma República do Paraguai que quase me derrubou na última etapa. Aquela, da rampa interminável…

Quero manter o ritmo, ma as pernas não respondem. Parece que estou correndo em câmera lenta. A Catedral do Rio de Janeiro está ao meu lado. Revivo alguns momentos da última etapa: penso em caminhar, mas não desisto. Repito mentalmente: “Não vou caminhar! A linha de chegada está próxima!” Apoio-me no fator surpresa do trajeto e acredito sinceramente que a chegada está logo depois da curva.

Na verdade, não está. Mas ao descer o acesso para a Rua Evaristo da Veiga, visualizo alguns fotógrafos. Não posso estar longe! Xis para a câmera. Velocidade. Estou chegando! Não faço ideia do meu pace, nem do tempo de corrida. Na última prova fui mexer no iPod e acabei desligando. Decido não correr o mesmo risco.

Arcos da Lapa à vista. Já ouço os Gênios do Chorinho. Agora é fato: estou quase lá! Braços abertos. Aviãozinho para comemorar a vitória. Sorriso no rosto. Coração acelerado. Eu con-se-guiiiii!

Fiquei em 311° na classificação geral. Éramos 381. Ainda assim, a sensação é de pódio. Bati meu recorde pessoal. Completei  dez quilômetros em uma hora e nove minutos. São dez minutos a menos do que na Corrida Panamericana, em novembro. Vitória na Lapa!

janeiro 30, 2012

Felicidade

Filed under: Definições e Teorias,Poesia — Marcelly Ferrari @ 10:06 pm
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Felicidade é o banho de chuveiro,
É a panela de brigadeiro,
É o piano, é o abraço apertado,
É o sol, é o cachorro, é o teclado.

Felicidade também é o gato,
É o livro, o perfume e o sapato,
É o longo passeio à beira mar,
É correr, é dormir, é cantar.

Felicidade é ouvir um CD de rock,
É usar um esmalte rosa shock,
É a pipoca e o talão de cheque,
É a praia, é o pé-de-moleque.

Felicidade é o calor do verão,
É uma fatia de torta de limão,
É o amigo, é o cartão de crédito,
É a família e o filme inédito.

Felicidade é o dinheiro na carteira,
É o pudim de leite na geladeira,
É o sonho, é a vela, é o sorriso,
É a declaração de amor de improviso.

Felicidade é a saúde e a viagem,
É o iPod e o estojo de maquiagem,
É a aula de step na academia,
É o beijo, a medalha, a fotografia.

Felicidade é o estojo de lápis de cor,
É o caderno, é o marido, é uma flor,
É um poema, é também um sitcom…
Felicidade é tudo de bom!!!

(Inspirado no poema “Felicidades”, de Bertolt Brecht)

outubro 25, 2011

Meu amigo cor-de-rosa

Filed under: Sem categoria — Marcelly Ferrari @ 9:58 am
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Meu amigo é cor-de-rosa. Não sei se nasceu assim ou se depois se transformou. Só sei que hoje é cor-de-rosa.

Aposto que seria azul, se tivesse alguma escolha, mas não foi ele quem escolheu. Sabe como eu sei? Meu amigo é feliz demais pra escolher a tristeza e companheiro demais pra escolher a solidão. Meu amigo é inteligente demais pra estar por baixo e forte demais pra ser indefeso.

Você escolheria ser minoria e sujeitar-se ao preconceito e à discriminação? Eu não. Meu amigo também não. Ele não fugiria aos padrões por vontade… Só que os padrões fugiram dele.

Meu amigo é diferente, eu sei. E na verdade eu não entendo porque existem outros amigos diferentes como ele. Será que ele mesmo entende? Acho que não. Também acho que isso não faz diferença. Não é o fato de o meu amigo ser cor-de-rosa ou de eu entender ou não o tal porquê que me faz gostar dele.

Eu gosto do meu amigo porque ele me faz sorrir, ele tem ideias brilhantes e um coração enorme. Eu gosto do meu amigo porque ele não caiu de paraquedas na minha vida: Ele é um amigão! E um amigão pode ser de todas as cores!

julho 19, 2010

I wish

Filed under: Em inglês,Poesia — Marcelly Ferrari @ 10:56 am
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I wish all the days were as sunny
And all the moments were as funny
As the ones we spend together.

I wish all the stars looked as bright
And all the words sounded as right
As in the nights we are together.

I wish all the dreams were as possible
And all the fights were as impossible
As the ones we have together.

I wish all the feelings were as beautiful
And all the relationships were as meaningful
As the ones we have found together.

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